Segunda-feira, 01.08.11

O Homem do Buick Azul
Autor: António Garcia Barreto
Editora: Oficina do Livro
N.º de páginas: 264
ISBN: 978-989-555-570-3
Ano de publicação: 2011

Eneias Trindade, o protagonista do romance O Homem do Buick Azul, de António Garcia Barreto, é um detective privado sui generis. Com um metro e oitenta de altura para noventa quilos, quase «gigante» se atendermos «à bitola do português médio», faz-se valer das manhas de antigo polícia e dos músculos de ex-pugilista. Fumador compulsivo de cigarrilhas, leitor de Camilo, bom garfo (gosta de frequentar casas de pasto e leitarias), Eneias anda tristonho com a fuga da amada Rosarinho, que vários namoricos e flirts com outras mulheres não chegam a afastar do seu pensamento. A história dos desencontros com Rosarinho vem de um livro anterior (A Mulher da Minha Vida, 2008), bem como o Padre Angústias, agora reduzido à figura de mentor cujos aforismos pontuam a narrativa.
Um desses ensinamentos — «Este país tem muito sol por fora e muita sombra por dentro» — retrata na perfeição o Portugal da época (1933). O cinzentismo paira sobre todas as coisas e sufoca Lisboa com cheiros ácidos a «trapo velho», não conseguindo mesmo assim eclipsar a beleza e vibração da cidade. «No reino dos céus morava Deus; em São Bento, Salazar.» Mais modesto, Eneias vive numas águas-furtadas e mantém a custo uma pequena sala de trabalho num andar de escritórios. É aí que recebe os seus clientes, quase sempre necessitados de ajuda em casos de «damas & valetes»: grandes intrigas e pequenos mistérios de gente abastada. Casos como o desaparecimento de um sportsman chamado Álvaro Durval, conhecido produtor de vinho do Porto que se eclipsou e os amigos querem encontrar, embora com menos empenho do que seria de prever.
Na sua investigação, Eneias destapa pouco a pouco um mundo que cruza a alta roda da sociedade lisboeta com o bas-fond dos bairros populares. Há de tudo: senhoras elegantes e automóveis americanos, rufias e proxenetas, polícias sem grandes problemas em recorrer à tortura e até um anão travesti. De pistolaParabellum no coldre, o detective vai da capital a uma quinta no Douro, passando pelo Porto, para desmontar uma teia sem pontas soltas e que reserva ao leitor um desenlace surpreendente.
A escrita de Garcia Barreto é simples, directa e bastante eficaz, embora revele algumas fragilidades estilísticas. Volta não volta, salta um cliché ou uma frase pirosa (como esta: «O dia amanheceu da cor do sorriso das crianças»). Em certos momentos, a narrativa tem ainda tendência a perder-se nos meandros psicológicos de Eneias, nos seus dilemas afectivos banais, mas nada que comprometa o ritmo de uma história bem contada. 

Avaliação: 5,5/10 

[Texto publicado no n.º 102 da revista Ler] Retirado do blogue Bibliotecário de Babel, de José Mário Silva.



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Quarta-feira, 11.05.11



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Quinta-feira, 14.04.11
Podcast da sugestão de leitura do romance «O Homem do Buick Azul» feita na Rádio Universitária do Minho (RUM), no programa Leitura em Dia.

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Quinta-feira, 31.03.11



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Sexta-feira, 11.03.11



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Quinta-feira, 03.03.11

Aqui fica o podcast da minha conversa com Ana Aranha, na Antena 1, programa À Volta dos Livros, sobre o meu último romance «O Homem do Buick Azul».


À Volta dos Livros 



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Segunda-feira, 28.02.11

Algumas notas de publicação e referências ao livro «O Homem do Buick Azul»


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Domingo, 30.01.11

 

Pela manhã, quando entrei no escritório, Lisboa ainda não acordara completamente dos mistérios da noite, mas no ar pairava já um cheiro a novidade. Que novidade? Era cedo para o descobrir. Tinha-me cruzado com dois vendedores de fava-rica, ambos carregando a saca com a panela ao ombro, e levando o pregão na boca. «Fava-rica, quem quer fava-rica?» Como sempre faço, sentei-me à secretária e virei a folha do calendário. O ano de 1933 era ainda uma grande incógnita, embora o passado recente permitisse seguir algumas pistas sobre o futuro imediato. No reino dos céus morava Deus; em S. Bento, Salazar. A felicidade de alguns lordes da pátria continuava a ser responsável pelo desespero de muitos infelizes, que caminhavam descalços pelas azinhagas da vida. No peitoril da janela, um casal de pombos arrulhava amores de ocasião com requebros felizes. O dia era de aguaceiros, com o sol a brincar às escondidas por entre massas de nuvens cinzentas, que pareciam querer retirar-se para ocidente a fim de permitir o Julho do céu. Tomei o primeiro café da manhã, a olhar a rua, por detrás dos vidros da janela. Tinha vestido o meu melhor fato, dos únicos dois que possuo. Mandei-o fazer numa alfaiataria da Baixa, em flanela cinzento-escura, num mês de bons proventos. Olhei o chapéu ainda dentro da caixa, também ele com aparência de novo. Senti-me bem na minha pele. Devia ser do café e do seu aroma, que ainda pairava na sala. Minutos depois, a mulher entrou no escritório com um ar decidido e com um discreto sorriso no rosto. Era jovem, alta e elegante, com o cabelo claro ligeiramente ondulado, caído sobre os ombros. Vestia roupa cara, de figurino estrangeiro, o que me deixou a impressão de estar perante uma manequim de alta-costura. O seu olhar denotava inteligência e mistério. Mas o que desde logo me confundiu foi a cor dos seus olhos, que parecia alternar entre o cinzento, o verde e o castanho. Pensei que talvez fosse o resultado da luz a entrar pela janela do escritório reflectindo-se no seu rosto. Ou era porque eu não acordara completamente de uma noite mal dormida e divagava. Desvalorizei o assunto. Interesses mais altos pediam a minha atenção. Apresentou-se como Salete Dupront.

 

— Falei com o senhor, ontem, ao telefone — disse ela, numa pose para retratista. Anuí com um aceno de cabeça indicando-lhe uma cadeira para se sentar. A educação é o respirar de Deus, nunca se esquecia de sublinhar o saudoso padre Angústias.

— Eneias Trindade, ao seu dispor.

Sentou-se e abriu a bolsa, da qual retirou uma boquilha e uma cigarreira de prata. Pegou num cigarro, introduziu-o na boquilha e acendeu-o com um isqueiro de madrepérola. Ali estava uma mulher liberal, avançada para a época, provavelmente educada em latitudes mais a norte do nosso provincianismo. Não a conhecia de lado nenhum, nem da esquina de um acaso. Sentei-me à secretária, de frente para ela, pronto a ouvi-la e tomar notas.

Numa conversa prévia, ao telefone, Salete Dupront dissera-me que o assunto era delicado, exigindo sigilo e discrição. Não precisava de mo ter lembrado. Para um detective privado, com uma clientela seleccionada entre gente de dinheiro e posição social, discrição e sigilo são condições essenciais para poder almoçar todos os dias e levar uma vida sem calafrios. Lembrei-me de lhe oferecer um café, mas temi que não fosse da qualidade a que estaria habituada. Olhei-a bem nos olhos para testar a sua altivez e ela aguentou o olhar. Sendo uma bela mulher, alguns sinais deram-me a entender que não apreciava o sexo oposto. Pelo menos, não suspiraria de amor por um homem qualquer. Senti-me off-side, para utilizar uma expressão do futebol. Mas talvez estivesse a ser injusto fazendo apreciações levianas.

Pedi-lhe então que relatasse, com pormenor, o problema que a trouxera até mim. Antes de me pôr ao corrente das suas apoquentações, Salete puxou duas ou três fumaças do cigarro e mudou outras tantas vezes de posição na cadeira. Marlene Dietrich não teria feito melhor com as suas longas pernas. Parecia-me então ansiosa ou pouco à vontade. Era de crer que o assunto o justificasse.

Um seu amigo de infância desaparecera há um mês, sem que houvesse qualquer explicação para o facto. Não havia notícia de acidente ou de outro infortúnio semelhante. Os restantes amigos e a família também não sabiam nada dele. Tratava-se de uma situação estranha, porque Álvaro Durval — assim se chamava o desaparecido — fazia parte de um inseparável grupo de amigos de infância, que se encontrava com regularidade, em festas mundanas. A estas apenas tinha acesso um pequeno grupo restrito, como num clube, adiantou. O desaparecimento estava a deixar todos muito preocupados.

Voltou a mudar a posição das pernas, o que fez com deliberada sensualidade. Começaram por deixar de o ver nos locais que todos frequentavam. Nunca mais os procurara, nem respondia aos seus diversos contactos. Estavam muito preocupados, repetiu. Não era caso para menos, disse eu, para ser simpático, tentando decifrar até onde iria a preocupação de Salete Dupront. Alvitrei que o senhor Durval podia ter ido tratar da sua vida, sem querer revelar os seus passos. Ou fizera uma viagem, que decidira manter confidencial, quem sabe para surpreender os amigos, mais tarde. Afinal, era um adulto, senhor dos seus actos. Pelo menos, enquanto a secreta não lhos coarctasse. Mas isto eu não disse. Também podia ter-se recolhido num mosteiro, para reflectir sobre a vida. Havia pessoas que o faziam. Limpavam a alma com orações, jejum e isolamento, a léguas de distância da civilização. Salete arqueou uma sobrancelha, olhando-me com uma expressão de dúvida. Estaria eu a brincar? Fiz de conta que falava a sério, o que dá sempre resultado em situações análogas. A verdade é que me estava a ser difícil acreditar na história do desaparecimento de Álvaro Durval. Salete Dupront não era convincente a contar histórias para adultos que já não acreditavam em contos de fadas nem em aventuras de Rocambole.



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Quarta-feira, 29.12.10

 

O Homem do Buick Azul

Prova de capa do romance «O Homem do Buick Azul», no prelo, editado

pela Oficina do Livro, com publicação prevista para fins de Fevereiro de 2011.

 

O Homem do Buick Azul

Capa, contracapa e badanas (prova) do mesmo livro.

 

 



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Quarta-feira, 22.09.10

 

 

 

O romance «Um Sorriso para a Eternidade» pode agora ser adquirido em formato e-book, a um preço inferior ao do preço de capa normal (menos 4,15 €). Os interessados devem seguir o link acima.



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Quarta-feira, 14.07.10

Entrevista dada por António Garcia Barreto ao jornal «Ensino Magazine» online, de Julho de 2010. Saiu também uma edição em papel. Seguir a ligação. Ou ler a transcrição abaixo

 

Entrevista

 

ANTÓNIO GARCIA BARRETO, EM ENTREVISTA

 

Um sorriso para a eternidade

 

P — O escritor António Garcia Barreto tem um novo romance, chama-se Um Sorriso para a Eternidade e conta a história de um homem em busca da felicidade e da verdade sobre a família. Começou por escrever poesia e histórias para crianças mas agora é o Romance que tem a sua preferência e lhe ocupa até os sonhos. António Garcia Barreto fala do ofício da escrita em entrevista por email ao Ensino Magazine.

«Um Sorriso para a Eternidade» é o seu mais novo romance. A ideia de escrever este romance surge como?

 

R — O meu processo criativo é contínuo. Umas ideias puxam outras. Neste caso concreto, o livro resulta, em grande medida, de um longo texto de ficção que eu tinha escrito e nunca publicado, no qual a personagem principal era um vendedor de felicidade. Na altura em que escrevi esse texto achei que lhe faltava qualquer coisa. Várias leituras posteriores confirmaram essa ideia inicial, mas retiveram que a parte respeitante ao vendedor de felicidade e à sua arte de burlar os outros era susceptível de gerar uma boa história, se lhe arranjasse outra envolvente.

 

P — O personagem do avô Aurélio — valdevinos incorrigível de sorriso encantador —, foi baseada em alguém real?

 

R — Não. É absolutamente fruto da imaginação.

 

P — No livro «Um Sorriso para a Eternidade», "Tito Borges é um homem em busca da felicidade" e da verdade sobre a família. Quando começou a escrever o livro já sabia como seria o seu desfecho?

 

R — Não. O desfecho surgiu já o livro ia adiantado. Mas não devemos esquecer que, durante a escrita, as personagens e a acção vão ganhando vida própria, se autonomizando, o que obriga o escritor a acompanhá-las. Por exemplo, o aparecimento do gato Parvo é fortuito. Não tinha pensado em nenhum gato para o livro (era mais natural ter pensado num cão). Mas a certa altura ele impôs-se. Com nome e tudo. E, a partir daí, ganhou direitos de cidadania literária...

 

P — O personagem Tito Borges afirma a páginas tantas: "O mundo hoje é demasiado pequeno para alguém ter a veleidade de nos surpreender com algo de novo, original. O desenvolvimento das telecomunicações, o advento da informática e da internet encurtaram distâncias de modo até há pouco tempo inimaginável. Já não precisamos de ir ter com o mundo. É ele que vem ter connosco a velocidade de espantar e com uma crueza que nos desarma." Essa é também a sua opinião enquanto jornalista.

 

R — Esclarecimento: não sou jornalista. Nunca fui. Apenas colaborei em vários jornais com textos literários. Mas posso dizer que aquela é também a minha opinião enquanto pessoa atenta e interveniente, que vive o seu tempo.

As novas tecnologias (internet, redes sociais...) alteraram a relação entre escritor e leitor?

Aquilo que mais influência teve no meu trabalho, em termos de ferramenta, foi o advento do computador. Desde que tive os primeiros Spectrum logo percebi a extrema importância que esse tipo de máquinas iriam ter a breve prazo. Bater um romance à máquina de escrever parece-me hoje algo inacreditável. Só quem o fez, como eu, sabe a perda de tempo que era alterar palavras e, sobretudo, frases, partes do texto, capítulos. Tudo tinha de ser reescrito, etc. Escrevia à mão, porque era mais fácil de rasurar. Só depois passava à máquina. A seguir ao computador, a internet foi a melhor ferramenta de trabalho que podia ter aparecido. Muita pesquisa que exigia canseiras e deslocações ficou extremamente facilitada. Mas é preciso cuidado e ser exigente, confrontar fontes, para não nos deixarmos levar pela facilidade e cair no erro. Estas novas tecnologias, com as redes sociais, alteraram, sem sombra de dúvida, a relação entre escritor e leitor. O leitor, hoje, está ali ao nosso lado, comentando, até dando ideias, criticando. A muitos desses leitores conhecemo-lhes a cara, o perfil, a escolaridade, os gostos, etc.

 

P — Tirou uma licenciatura em História, colaborou em vários jornais, é autor de vários livros de literatura infantil e juvenil. Como começa o gosto por escrever histórias para os mais novos?

 

R — Comecei, como muita gente, por escrever poesia e publicá-la nos jornais. Escrevia também pequenos contos, que não publicava. Um dia, porém, enviei um desses contos para um concurso promovido pelo Diário Popular e ganhei o primeiro prémio. O conto tinha um nome longo: «Tio Jeropiga, Tio Manel Pedreiro, Eu, a Mula Bizarra & Companhia». Só depois disso fui sugestionado para escrever para crianças. A seguir ao 25 de Abril houve um boom de livros para crianças de autores portugueses. Também quis tentar. E parece que não me dei mal. O escritor António Torrado, na altura responsável editorial numa conhecida editora, recebeu muito bem os meus textos, exercendo sobre eles uma crítica construtiva, e publicou-os. Foi o princípio.

 

P — Diverte-se a escrever, ou deixa o divertimento por conta do leitor?

 

R — Divirto-me bastante a escrever. Mas, às vezes, também me atormento. Quando escrevo não penso no leitor, salvo quando se trata de livros para crianças, em que há que ter cuidados especiais. Só penso na construção do texto, no desenvolvimento da história, na forma que deve apresentar esse texto. Mas tenho uma base geral de trabalho: clareza na escrita (o que dá muito trabalho), algum humor, verosimilhança, enredo que cative, algum suspense.

 

P — Prefere escrever romances ou livros para crianças? Porquê?

 

R — Romances, sem qualquer hesitação. E, para os mais novos, novelas juvenis, mais do que histórias infantis. Como diz e muito bem o escritor israelita Amos Oz, e adaptando ao que atrás afirmo "Escrever um poema é como se fosse uma noite de amor, escrever um conto é um namoro, mas escrever um romance é um casamento." Gosto de casamentos...

 

P — Encontra-se a trabalhar actualmente em algum projecto literário? Qual?

 

R — Estou sempre a escrever. A escrita de grande fôlego é mais transpiração que inspiração. Um romance ocupa-me até os sonhos. Quando me deito, antes de adormecer, converso sempre com algumas personagens, tento arranjar-lhes emprego no romance, manobrar-lhes a vida. Neste momento, e para lá de textos que surgem e se anotam rapidamente, estou a reescrever totalmente um romance, que publiquei há muitos anos, numa pequena editora, cuja acção se passa em Lisboa, no ano de 1918. Terá o título provável de «Manobras do Marechal». Tenho em stand by, numa fase intermédia, à espera de algumas definições, um outro romance, que é de alguma forma uma sequência, em termos da acção da personagem central, do romance «A Mulher da Minha Vida», que publiquei na Oficina do Livro.

 

Eugénia Sousa



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Quinta-feira, 20.05.10

 

Notas de lançamento do livro «Um Sorriso para a Eternidade» no DN (Revista) e JL, respectivamente.

 


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Recensão do escritor e ensaísta Miguel Real nas páginas do JL — Jornal de Letras, Artes e Ideias, n.º 1034


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Quarta-feira, 07.04.10

 

 



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Domingo, 28.02.10

Capa do novo romance do autor a ser publicado em Abril próximo

com chancela da Oficina do Livro.

Podem ler os primeiros parágrafos do livro aqui.

Podem adquirir o livro online na Wook.



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 Capa, contracapa e badanas (plano) do novo romance do autor intitulado «Um sorriso para a eternidade», a ser publicado em Abril próximo.



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Segunda-feira, 15.02.10

Parágrafos iniciais do romance «Um Sorriso para a Eternidade», de António Garcia Barreto, publicado pela Oficina do Livro.

«O sorriso amável do meu avô Aurélio é a única imagem forte que retenho dele. Tudo o resto, que não foi nada, acabou por se esfumar ou nem sequer existir. Só esse sorriso magnético e encantador me liga à sua memória, levando-me a pôr em dúvida a sua herança genética, já que eu nunca soube sorrir, e ainda menos de forma amável. Mas alguma coisa devo ter herdado dele. Ando agora interessado em desvendar a sua existência misteriosa e um tanto desvairada, segundo a opinião geral da família, para compreender melhor as razões da minha própria vida.
— O passado caminha para nós às arrecuas, mas não deixa de nos perseguir — disse Bonaparte, bêbado vitalício com banca de jornais e revistas na zona das Avenidas Novas, num desses dias em que passei por lá para comprar o jornal e em deslize de conversa lhe contei que andava a investigar a vida do meu avô.
— És capaz de acreditar em alguém que mal conheces? — lembro-me de lhe ter perguntado enquanto procurava as moedas para pagar o jornal. Bonaparte olhou para mim com o seu olhar redondo e inflamado, como se estivesse à procura da resposta adequada, puxou da garrafa de vinho, que escondia debaixo do balcão das revistas, bebeu um gole e acabou por dizer:
— Acredito, doutor. Mas só até começar a desconfiar.
Bonaparte é a pessoa mais espantosa que conheci nos últimos anos. Não por aquilo que fez ou faz. Mas pelo que poderia ter feito, não se desse o caso de ter saltado do comboio da vida em andamento. Não morreu nem ficou inválido, mas nunca mais foi a mesma pessoa. Com um gesto cansado, guardou a garrafa, sorrindo-me com os seus dentes cavalares e o olhar disperso e sem brilho. De seguida, mimou Napoleão, um rafeiro alentejano maltratado e cheio de pulgas, companheiro de desdita, que abanava o rabo, feliz e comunicativo, enquanto eu me afastava.

Ver mais... )

 



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Terça-feira, 10.11.09

 Entrou em fase de pré-produção, na editora Oficina do Livro, o novo romance do autor intitulado "Um Sorriso para a Eternidade", cuja publicação está agendada para Março/Abril de 2010.


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  Pode encomendar os meus livros, online, em:

 



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Quem sou
«Escrever um poema é como se fosse uma noite de amor, escrever um conto é um namoro, mas escrever um romance é um casamento.»
Amos Oz, escritor israelita

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